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20/-/5-10 13h46
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Ministério orienta o uso de inseticida - Leishmaniose visceral (Jornal da Cidade de Bauru)

Técnicos em saúde pública do governo federal recomendam a borrifação em imóveis nas áreas de transmissão da doença.

Luciana La Fortezza/ Com Da Redação Embora a Prefeitura de Bauru nunca tenha lançado mão do controle químico no combate à leishmaniose visceral, o Ministério da Saúde recomenda a borrifação com inseticidas de efeito residual nas paredes internas e externas dos imóveis nas áreas de transmissão intensa e moderada da doença.

Segundo o próprio MS, a borrifação deverá ser feita em dois ciclos ao ano com intervalos de 3 a 4 meses, sendo o primeiro recomendado para o período do pico da proliferação do ‘mosquito palha’, transmissor da doença.

De acordo com a assessoria de imprensa do MS, estudos demonstram que esta ação, se realizada da forma recomendada, tem sua eficácia desde que adotada de forma integrada às demais ações do Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral. O programa prevê, por exemplo, eutanásia em cães e limpeza de terrenos (o inseto se reproduz em material em decomposição).

Ainda segundo o ministério, a União consome cerca de R$ 1,5 milhão por ano apenas com inseticida, fora os gastos com bombas, recursos humanos, veículos, combustíveis etc. No entanto, a química nunca chegou ao município, que segue as coordenadas técnicas da Sucen. O órgão do Estado não recomendaria o procedimento para que não haja resistência cruzada, informa o titular da Secretaria Municipal de Saúde, Fernando Monti.

A preocupação é que o trabalho possa tornar resistente o Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue. Além disso, o rendimento de uma dupla de profissionais alocada para fazer o trabalho é muito baixo, explica o secretário. Ambos teriam condição de percorrer, por dia, apenas três residências, pois teriam que afastar móveis para borrifar a química nas paredes. “Em Bauru, só a área crítica, são 18 mil imóveis. A Sucen sempre apontou a baixa eficácia”, informa.

Para o secretário, eficaz é acabar com a fonte de proliferação do ‘mosquito palha’, que é o material em decomposição.


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Controle da doença no Brasil foca várias frentes

As ações de vigilância e controle da leishmaniose visceral normatizadas no Brasil estão centradas no diagnóstico precoce e tratamento adequado dos casos humanos; vigilância e monitoramento canino com eutanásia de cães com diagnóstico sorológico ou parasitológico positivos; vigilância entomológica; saneamento ambiental e controle químico com inseticida de efeito residual, além de medidas preventivas direcionadas ao homem, ao vetor e ao cão, informa o Ministério da Saúde.

A política adotada pelo Brasil é baseada em ações integradas voltadas ao quatro elos da cadeia: o homem, o cão, o vetor e o ambiente. São embasadas em evidências científicas, informa a assessoria de imprensa.

Apesar de laborioso e caro o controle químico do vetor, por exemplo, vem sendo realizado nos municípios de transmissão intensa e moderada do Brasil. Porém, o MS ressalta que nenhuma ação de controle de doenças vetoriais tem como objetivo eliminar a população de vetores, e sim tentar reduzir a densidade vetorial ao ponto de minimizar o contato do homem com os insetos.

Para a União, não se pode comparar protocolos de tratamento entre países com características bastante distintas. ‘A leishmaniose é uma doença cujo ciclo de transmissão é extremamente complexo, influenciado por diversos fatores, existem diferenças entre os parasitos, entre as espécies, sazonalidade e abundância dos vetores incriminados, condições climáticas, ambientais, sócio-econômicas, culturais, além de fatores genéticos da população”, diz nota enviada à reportagem.

Os europeus, inclusive, estão muito menos expostos ao risco de contrair a doença, acrescenta o MS. “Outro fator diz respeito às condições de moradia, saneamento, estado nutricional que também influenciam na ocorrência dos casos da doença. É importante ressaltar que o tratamento da leishmaniose visceral canina não é uma unanimidade nem na própria Europa, pois já existe uma preocupação a nível mundial no que diz respeito à resistência de parasitos à drogas de uso humano”, informa a assessoria de imprensa.


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Leishmaniose visceral é preterida pelo Estado

Embora mate mais do que a dengue e a malária, a leishmaniose visceral é preterida pelo Estado. A avaliação é do médico Carlos Henrique Nery Costa. “As outras doenças têm um peso político maior. O Calazar pega populações periféricas. As estatísticas sugerem que a mortalidade e o número de casos está aumentando”, informa.

Enquanto isso, o arsenal terapêutico (medicamentos) continua pequeno e muito tóxico para quem se submete ao tratamento. A doença acomete quem tem saúde frágil, seja em virtude da pobreza ou de alguma outra doença de base. As pessoas sadias, mesmo com o protozoário na corrente sanguínea, podem não manifestar leishmaniose. Talvez por essa razão, não se invista em pesquisa sobre o assunto e tratamentos mais eficientes, conforme a reportagem constatou.

Ainda assim, para Costa o fim das eutanásias deveria ser imediato. “Estamos fazendo uma grande injustiça como os animaizinhos e não estamos beneficiando as pessoas. Temos de investir pesado em pesquisa para vacina e começar a tentar o uso de DDT”, recomenda. Na opinião do médico, a iniciativa de evitar lixos com material em decomposição é tão necessária que nem merece comentários.

“A situação do País é uma vergonha em termos de sujeira. Lixo não é problema só para Calazar, é para tudo”, ressalta. Para o médico, a proliferação do mosquito palha depende do clima. Se for tropical, como no Brasil e na Etiópia, por exemplo, acontece o ano inteiro. Com relação ao uso de coleiras repelentes, ele desconhece estudos científicos que atestem sua eficácia.


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Família perde animal

Mila era uma Boxer de dois anos, vacinada contra a leishmaniose e munida com coleira repelente. Ainda assim, foi sacrificada na semana passada por ter sido infectada pelo protozoário. Tanta dedicação em evitar o problema, aumentou o luto da família do técnico em informática Carlos Eduardo Carnevali. Precavida, sempre manteve o quintal da casa situada na quadra 2 da rua Eugênio Borro, na Vila Becheli, impecável.

A ideia era não sofrer por conta da doença. Não adiantou. Indignado, Carnevali decidiu denunciar o vizinho, cujo quintal deixaria a desejar. “Há 20 anos moramos ao lado dessa residência, que sempre teve o quintal em péssimas condições. Nesse período, várias denúncias foram feitas, vários agentes visitaram e nenhuma providência foi tomada pela Prefeitura”, critica.

Exigindo uma atitude das autoridades, fez denúncias à imprensa, Ministério da Saúde e à administração municipal. Por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) informa que o proprietário do local citado pela reportagem foi notificado para realizar a limpeza do local no ano de 2009. Como a solicitação foi atendida o processo foi arquivado.

Mas nova vistoria foi realizada nesta semana e o proprietário foi novamente notificado para realizar a limpeza do local.


Fonte: Jornal da Cidade de Bauru
Matéria em: http://www.jcnet.com.br/detalhe_geral.php?codigo=182553