Personal tools
Você está aqui: Home Ouça a Voz dos Animais Animais de Companhia Saúde Leishmaniose O extermínio de cães e o combate à doença
Document Actions

O extermínio de cães e o combate à doença

A matança dos cães soropositios não é a única forma de combater a doença?


NÃO. A Leishmaniose é uma doença complexa, e o combate pela matança de cães tem sido a medida mais comum, porém a menos eficaz. O combate à Leishmaniose requer um olhar integrado, que vá à raiz das questões. Isso envolve planejamento urbano, manejo do lixo , combate ao mosquito, controle populacional de cães por esterilização e , importantíssimo, a promoção da saúde e nutrição da população mais excluída.

 

Nada disso é tratado ao se matar cães — e a doença segue em proliferação. Inúmeros estudos e informes técnicos, inclusive da Organização Mundial de Saúde, questionam o fracasso do modelo atual:

  • a doença (na cidade) tem raízes no desquilíbrio ecológico causado pela expansão urbana sem planejamento. Na medida em que ocorre desmatamento, o ciclo silvestre da doença é interrompido e cães e humanos passam a ser contaminados. Aliás, o mesmo tem ocorrido com a hantavirose, a dengue, e a febre amarela.

 

  • inúmeros outros animais estão envolvidos no ciclo da doença: ratos, gambás, e até gatos. Os frangos também estão sendo investigados como parte do ciclo. E, pessoas também são reservatório. Não é factível realizar o controle testando-se e matando-se todos estes animais! 

 

  • Ao se matar um cão, é frequente a “reposição”dos cães muitas vezes por filhotes, que em geral são mais suscetíveis ainda à contaminação. 

 

  • Há uma mobilidade muito grande de pessoas e seus cães pela cidade, o que impossibilita um “controle” total; muito mais eficaz é o controle do vetor.

 

  • o alarmismo causado ao se culpabilizar os cães tem levado a taxas maiores de abandono destes, levando a uma população maior de cães errantes e imunodeprimidos que podem ser alvo da doença.

 

  • os cães são considerados por muitas pessoas como parte integrante da família e a matança destes é extremante traumática, principalmente para crianças. Ignorar o importante vínculo entre animais e suas pessoas é apostar na não colaboração da população, algo que é fundamental na saúde pública. Medidas testadas e aprovadas como a distribuição de coleiras , telas e mosquiteiros com inseticidas e educação ambiental têm naturalmente maiores chances de serem adotadas pela população. 

 
Portanto, o que se aponta na maior parte dos estudos é a importância de se repensar a estratégia falida de matança de cães e partir para o controle do vetor ( mosquito), controle do ambiente (lixo orgânico), repensar políticas desordenadas de expansão urbana, diminuir a população de cães errantes por meio de campanhas de esterilização e de guarda responsável, melhorar o status nutricional e imunológico da população humana e investimento em estudos do tratamento e prevenção da doença em humanos e animais.

 

Não é justo que cães paguem com a vida por erros humanos! Defenda a idéia de uma nova política de combate à Leishmaniose, assim como têm feito vários setores da população brasileira, inclusive técnicos da área da saúde pública.